domingo, 23 de agosto de 2009

a grande e bela arte de se achar um idiota.

Tudo na minha vida é seguida conforme o ritmo. Amigos legais, uma família normal (graças a Deus), um bom estado de saúde, um lugar legal de se morar, um quarto só pra mim, meus DVDs e minhas coisas boas e inutilizáveis dentro da minha mente. Sou feliz e contente assim, mas não completo. Ás vezes, me pego pensando em uma outra forma de vida, uma pessoa diferente, um jeito diferente. Daí, percebo que se tudo fosse fácil e se minha imaginação fosse como uma fonte dos desejos, tudo ia ser sem graça.
Sempre que acordo, penso em coisas positivas, acordo feliz e com disposição pra qualquer coisa. No decorrer do dia, eu percebo que perco esse entusiasmo de viver a vida, talvez pelo fato de eu ao observar os espaços e ao conversar com as pessoas, eu não sinto a mesma energia que sinto dentro de mim, é como se ela ou qualquer coisa não me desse um motivo pra eu festejar por mais um dia que estou vivo. E quando chega a noite, eu deito na cama e por 5 minutos, reflito sobre tudo ou sobre coisas que aconteceram no dia. Pensar, pensar e pensar, talvez esse seja o meu grande erro rotineiro. E o pior disso tudo é que eu gosto. Sim, pra mim não há nenhum prazer melhor do que pegar um ônibus sozinho que faça uma viagem de 30 a 40 minutos e que eu acompanhado das minhas musicas no meu MP3 torne a minha visão pela janela do ônibus ou do metrô um clipe. Um clipe com as paisagens da cidade, os carros em alta velocidade e algumas pessoas que você consegue enxergar os rostos. É prazer demais. Esses dias, eu estou percebendo como estou incompleto e acredito que o pior de tudo é quando você percebe que não há como achar essa peça pra te deixar inteiro. Não faço dramas, não choro, muito menos entro em depressão. Mas eu sou um ser humano e tenho necessidades básicas, tão básicas que não acredito que até hoje não tenha conseguido todas elas. Percebi hoje que eu canso de algumas coisas e dois minutos depois eu volto atrás e passo a gostar novamente. Desgasta? Sim, e muito. Mas eu gosto. Gosto do desprezo, dos sentimentos não recíprocos, dos lugares vazios, dos clipes criados a partir da minha visão de dentro do ônibus. Sou incompleto, mas eu penso e sendo assim, consigo aguardar pela minha preciosa peça.

OBS.: Se puder, leia esse post ao som de 'Will is My Friend' por Devendra Banhart.

Nenhum comentário:

Postar um comentário